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24 de julho de 2014

Resenha #16: A Última Nota - Felipe Colbert e Lu Piras



Título/Título original: A Última Nota
Autor: Felipe Colbert e Lu Piras
Editora: Novos Século
Ano de lançamento: 2012
Status: Livro único
Gênero: Romance
Páginas: 260
Skoob: Link1 
Onde encontrar: Saraiva


Vamos conhecer Alicia Mastropoulos: 20 anos, greco-brasileira, carioca, estudante de música, violonista, o pontinho vermelho entre o mar de pontinhos brancos de sua família. A protagonista é uma boa menina e boa filha, apesar de não seguir à risca as tradições gregas da família e isso inclui sua determinação em fazer um curso superior. Os pais de Alicia são donos do Parádosis um dos restaurantes gregos mais tradicionais do Rio. Tradição, tradição, tradição. Essa é a principal razão dos desassossegos de Alicia.

Logo no início três mistérios rondam a mocinha: 1º) seus pais e a “paranoia” de se aproximarem destacarem no Círculo Grego do Rio; 2º) as evasivas da sua avó Cecília quanto a história sua história com o avô de Alicia; e o 3°) eu revelo já, já! Vejam só, eu fazendo mistério do mistério... Eles não a afetam diretamente no início, mas é inevitável.

"No  mínimo, as consequências teriam que ser assumidas. E se eu escolhesse uma rua sem saída? A vida não dá marcha-ré. Será que eu teria como voltar?"

Alicia ainda sofre com a morte do avô, que é grego, mesmo já tendo se passado um ano, sente muito a falta da sua pessoa, dos seus carinhos, dos seus conselhos. Ele foi sua inspiração para que se apaixonasse pela música. Além dessa ausência, Alicia está infeliz por: a) namorar Theo um jovem jornalista, grego, bonito, pedante, membro das famílias do Círculo, o orgulho de seus pais, e b) conviver com o desentendimento que existe entre seus pais, sobretudo sua mãe, e sua avó Cecília. Para fechar o conjunto ela tem um professor que gosta de pegar no pé dela, por ser Spalla da orquestra da sua turma.

"Bem, eu tinha dezoito anos, havia acabado de entrar na faculdade, ele era bonito, galanteador e... grego como eu. O primeiro jantar foi na casa dos meus pais, e foi amor à primeira vista (entre eles)."


"- O tempo e o acaso não nos pertencem."




Mistérios e conflitos de família, crise de identidade, incertezas do futuro, problemas com os estudos. Tudo quase normal por aqui. Até que Alicia resolve surpreender a todos e tocar uma das composições de seu avô em uma apresentação significante. Alicia toca “Gratia”. Alicia se emociona. Alicia erra a última nota. Ninguém percebe, senão ela. Mais problemas? Não. Não até ela receber uma ligação do hospital, no dia seguinte: um rapaz foi encontrado inconsciente, não se lembra de mais nada e chama apenas por ela.

"Não havia palmas contidas,não avia palmas ocas. Era uma ovação que eu não esperava e não precisava, porquanto tudo o que eu quis foi homenagear o meu avô."

Alicia pensa ser Theo que aprontou alguma. Mas ao chegar lá ela encontra um completo desconhecido. Um lindo desconhecido. Capturando-a com profundos olhos azuis que só acentuam as expressões em seu belo rosto: felicidade, confusão... Aí está aquele terceiro mistério. Alicia quer ajudá-lo, mas a situação vai além de algo que ela possa lidar. Ela abandona o jovem no hospital. Mas o acontecimento bizarro a fica perturbando. Então ela conta para a sua melhor amiga, Caroline, que sendo impulsiva e um pouco maluquinha critica a falta de consideração de Alicia. Elas voltam ao hospital, mas o rapaz já foi “resgatado”. Alguém já levou Sebastian para casa. Sebastian. Nunca mais ela o verá, mas em vez de alívio o que ela sente é um vazio. Nunca mais. Ela quem pensa...

"Então, vi o tom de azul mais cristalino com o qual céu e mar nenhum poderiam rivalizar. Ele não era apenas um homem belo. Ele era um deus grego. E de deuses gregos eu entendia muito bem." 

“A Última Nota” é um romance envolvente, às vezes um pouco clichê, mas de uma forma muito bem explorada e agradável. Engraçado, dramático, musical, arrebatador. Por ser escrito por duas pessoas, não sei como essa parceira ocorreu, mas o fato é que a narração na voz de Alicia é muito consistente. Capítulos bem curtinhos, narrativa dinâmica, relacionamentos cuidadosamente desenvolvidos e cultivados. Existe muita distinção no comportamento de Alicia com sua avó, com seu pai, com sua mãe, com Theo... É mais que um romance, é a história de encontro e afirmação de Alicia. As referências gregas na história foi algo que me agradou bastante e contribuiu muito para compor a narrativa envolvente, assim como a ambientação em uma das cidades brasileiras mais conhecidas e que é deliciosamente retratada.

"Talvez [ele] não entendesse meu gesto ao devolver-lhe as flores. Talvez fosse melhor que pensasse que a guerra entre nós havia acabado. Não era para ser somente uma declaração de paz."

Quando as revelações começam a chegar é um pouco chocante para o leitor, porque elas não exatamente lógicas. E você sente a aflição crescente de Alicia, envolvido pelos tons da narrativa. Eu confesso que me emocionei em algumas passagens a ponto de verter algumas lágrimas fujonas. Alicia apesar de um pouco confusa com as opções em sua vida é uma boa protagonista, mesmo que ela tenha seus momentos de rainha do drama, no geral ela é bem durona, impulsiva e divertida.

"- É a única versão conhecida. Se o senho encontrar alguma pesquisa que contrarie a lenda, por favor, não deixe de apresentar à classe - disse, antes que pudesse impedir minhas palavras de serem jogadas pelo ar. Eu e minha grande boca."

Achei um final bonito, mas mal justificado, esperava algo mais fundamentado. Não estou dizendo que não gostei, apenas que não me satisfez completamente. Quanto à revisão e diagramação o livro está maravilhosamente trabalhado, não me recordo de erros e a formatação do texto é extremamente confortável. Pesando tudo, com certeza considero-o como um romance contemporâneo que eu recomendo para quem gosta ou está descobrindo a literatura brasileira atual.






"Palavras que feriam e mágoas que não cicatrizavam. esses eram os tijolos que continuávamos a cimentar no muro que erguíamos entre nós, cada vez mais alto e mais difícil de transpor."

Esta foi uma leitura que fiz para a II Maratona #EuSouDoidera e como parte dela devo escolher uma música para a história. Como Alicia gosta de música com instrumentação clássica, eu escolhi “So Close” de Jon McLaughlin, que é inclusive um dos cantores presentes em seu i-pod, e a letra da música me faz recordar um pouco a história do romance.

"Em todos os seus olhares, que eram muitos, independentemente da direção, eu me via neles. Tão longe e tão perto." 

12 comentários:

  1. Olá
    Tudo bem ?
    Quero ler esse livro já faz um bom tempo mas ainda não tive oportunidade, infelizmente, parece ser mtmmtt legal e gostoso de ler.
    A sua resenha está ótima, bem explicado e me deixou ainda mais curiosa.
    Adorei a musica escolhida haha.
    Parabéns,

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/2014/07/resenha-pluvia-erica-azevedo.html

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    1. Obrigada Catharina! Espero que possa lê-lo o mais rápido possível. Vale a pena. Estarei retribuindo a visita. ;)

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  2. Olá.
    Tudo bom? Sou suspeita pra falar desse livro. Ele foi muito bem desenvolvido e tem uma história linda e envolvente.
    Beijos

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    1. Achei a história envolvente e desenvolvida, mas acho que o arco geral ficou um pouco vago.

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  3. Eu já tinha visto uma resenha desse livro e fiquei encantada por ele! Sério. Eu quero ele pra mim hahahhah Adorei a resenha e dei uma risada com esta quote "e foi amor à primeira vista (entre eles)." Muito legal!
    bjs
    http://horadaleitur.blogspot.com.br/

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    1. hahahaha O livro tem bastante sacadas como essa, Jess. Você vai gostar!

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  4. Essa capa é demais, e a história faz muito meu estilo... mas ahhh falta dinheiro pra tanto livro bom!! kkkk

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    1. Triste realidade, Sa!!! Se não fosse pela Black Friday do ano passado, eu não teria esse livro. :p

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  5. Eu já tinha visto esse livro, e me encantei por ele, espero lê-lo em breve *-*

    Beijos
    http://www.sacudindoaspalavras.com.br/

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    1. Que você faça uma boa leitura, Dee!

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  6. Oi, já vi resenhas sobre esse livro. A capa é até bonita, mas não me interessei pela história.
    Gostei da resenha.

    eueminhapequenaestante.blogspot.com

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    1. Obrigada, Felipe. Bom, é um romance, se romance não faz muito sue tipo não sei se gostaria tanto do livro...

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